Publicação da Editora IPES articula uma perspectiva comparada entre Argentina e Brasil e destaca a formação de jovens pesquisadores como parte do processo de produção do conhecimento.

Publicado em 12 de setembro de 2026, às 09h08 (horário de Mato Grosso do Sul).

O livro Saúde, federalismo e desigualdade: perspectivas comparadas, publicado pela Editora IPES, apresenta uma contribuição ao debate sobre políticas públicas de saúde ao reunir, em uma mesma obra, experiências de pesquisa desenvolvidas por docentes e estudantes em diferentes etapas da formação acadêmica. Assinado por Luciléia Aparecida Colombo, João Vinícius Brasil da Silva, Hugo de Barros Pinto Grifoni e Anita Lemos Nicolino, o trabalho articula a análise de trajetórias institucionais, federalismo, capacidades estatais e desigualdades territoriais a partir de experiências do Brasil e da Argentina.

Para a professora Luciléia Aparecida Colombo, uma das características que distingue a publicação é justamente a composição do grupo de autores. Dois deles são estudantes de graduação e bolsistas de Iniciação Científica do CNPq; outro é estudante de mestrado e já possui inserção profissional. A presença discente, segundo a pesquisadora, não é apenas complementar: ela expressa uma concepção de formação em que os estudantes deixam de ocupar exclusivamente o lugar de receptores do conhecimento e passam a participar diretamente de sua produção.

“Esses estudantes deixam de ser sujeitos passivos, só receptores do conhecimento, e passam a produzir conhecimento como autores desse livro.” — Luciléia Aparecida Colombo

Da Argentina aos municípios brasileiros

A estrutura da obra percorre escalas distintas de análise. O primeiro capítulo reconstrói a trajetória das políticas de saúde na Argentina e examina como o federalismo, as reformas institucionais, a descentralização e a distribuição de recursos interferiram na organização do sistema de saúde. A comparação com um país vizinho permite observar continuidades, diferenças e dilemas comuns às sociedades latino-americanas.

Nos capítulos seguintes, o foco se desloca para o Brasil e, de maneira mais específica, para o nível municipal. A obra aborda o Programa Academia da Saúde em Araraquara e a organização da saúde no município de Campinas. Essa escolha, conforme destaca Luciléia, parte de uma questão central: é no município que a política pública se torna experiência cotidiana para a população, seja na procura por uma unidade de saúde, seja no acesso aos serviços, programas e equipes responsáveis pelo atendimento.

Ao explicar esse percurso, Luciléia enfatiza a aproximação entre uma experiência internacional latino-americana e a materialização das políticas de saúde no território. A Argentina oferece uma trajetória institucional específica; Araraquara e Campinas permitem observar, em escala local, como capacidades administrativas, planejamento, governança e coordenação interferem na efetividade das políticas.

Capa completa do livro Saúde, federalismo e desigualdade: perspectivas comparadas, com autores e apresentação

Um livro nascido no grupo de pesquisa

A publicação é resultado das discussões do Grupo de Pesquisa Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional, sediado na Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara. O próprio livro registra que o trabalho deriva das atividades desenvolvidas no grupo e reconhece o apoio do CNPq e da Pró-Reitoria de Pesquisa da UNESP às bolsas de iniciação científica.

Esse ambiente coletivo aparece no depoimento da professora como elemento decisivo para o desenvolvimento da obra. “Nós descobrimos e fomentamos essa nossa curiosidade pela produção de conhecimento”, afirma. A experiência demonstra como o grupo de pesquisa pode se constituir em espaço de investigação, autoria, debate e amadurecimento intelectual.

Formação, autoria e alcance social

Ao aproximar graduação, pós-graduação e produção docente, Saúde, federalismo e desigualdade oferece ainda uma experiência de formação acadêmica que ultrapassa a sala de aula. João Vinícius Brasil da Silva e Anita Lemos Nicolino são graduandos em Ciências Sociais na UNESP-Araraquara e bolsistas de Iniciação Científica do CNPq. Hugo de Barros Pinto Grifoni é mestrando em Ciências Sociais pela mesma instituição, além de graduado em Administração Pública e em Direito. Luciléia Aparecida Colombo é professora de Ciência Política da UNESP-Araraquara.

Para Luciléia, a publicação pode dialogar não apenas com pesquisadores e estudantes do ensino superior, mas também com outros níveis de ensino. Ao tratar de saúde pública, federalismo, desigualdades regionais e funcionamento das políticas no território, o livro oferece caminhos para compreender como decisões institucionais chegam à vida cotidiana.

A expectativa é que a experiência estimule outros grupos de pesquisa a ampliar a participação discente em processos de investigação e publicação. A obra, assim, apresenta uma dupla contribuição: analisa desafios contemporâneos da saúde em diferentes escalas e demonstra que a produção científica pode ser, ela própria, um processo formativo compartilhado.

Publicada em acesso aberto, a obra reforça o compromisso da Editora IPES com a circulação e a ampliação do acesso ao conhecimento. O livro está disponível na plataforma editorial e possui DOI próprio.

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Capa do livro Saúde, federalismo e desigualdade: perspectivas comparadas

Saúde, federalismo e desigualdade: perspectivas comparadas

Luciléia Aparecida Colombo; João Vinícius Brasil da Silva; Hugo de Barros Pinto Grifoni; Anita Lemos Nicolino

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DOI: 10.67423/edipes.2026.isbn.9786584067424