Extensão Universitária: Comunidade, Natureza e Desenvolvimento Sustentável

Livro reúne onze trabalhos desenvolvidos por acadêmicos da UEMS em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul e destaca a integração entre ensino, pesquisa, extensão e cultura

A Editora IPES publicou nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, o livro “Extensão Universitária: comunidade, natureza e desenvolvimento sustentável”. Disponibilizada integralmente em acesso aberto, a obra apresenta os resultados de um amplo processo formativo desenvolvido no Curso Superior de Tecnologia em Gestão Pública da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em parceria com a Escola de Governo de Mato Grosso do Sul e com o apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).

Organizado por Carlos Otávio Zamberlan, Leila Cristina Gonçalves de Oliveira, Fabricio Antonio Deffacci e Fabiane Suelynn de Freitas Bordão, o livro reúne onze capítulos produzidos a partir de ações práticas realizadas por acadêmicos em diferentes municípios sul-mato-grossenses. Os trabalhos foram construídos nas disciplinas de Projeto Integrador I, II e III, concebidas como etapas complementares de um percurso que envolveu aprendizagem, pesquisa, diagnóstico, planejamento, intervenção comunitária e avaliação dos resultados.

Para Carlos Otávio Zamberlan, coordenador do curso em 2026 e um dos organizadores da publicação, o livro representa o resultado concreto de uma proposta pedagógica capaz de aproximar a formação acadêmica dos problemas enfrentados pelas comunidades. “O livro ‘Extensão Universitária’ é fruto de um trabalho e de uma parceria importante entre a Escola de Governo, a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e a Fundect”, destaca.

A proposta desenvolvida no curso buscou superar a fragmentação entre as disciplinas. Os conhecimentos trabalhados durante a formação foram articulados para que os estudantes desenvolvessem habilidades suficientes para identificar demandas sociais e ambientais, formular projetos e realizar intervenções nos territórios. A sala de aula, nesse processo, tornou-se ponto de partida para experiências concretas de gestão pública, participação social e desenvolvimento sustentável.

“A gente conseguiu interligar diversas disciplinas e oferecer aos alunos conhecimentos e habilidades para que eles aplicassem uma atividade junto à comunidade, tendo como base o ensino, a pesquisa e a extensão, somando a isso elementos importantes da cultura geral”, explica Zamberlan. Segundo o organizador, essa integração permitiu que os estudantes compreendessem as comunidades não apenas como destinatárias das ações, mas como participantes da construção dos diagnósticos, das decisões e das soluções propostas.

O percurso metodológico registrado no livro começou com a identificação de problemas públicos e demandas locais. Em seguida, os grupos realizaram pesquisas bibliográficas e documentais, dialogaram com gestores, instituições e moradores, elaboraram diagnósticos e empregaram instrumentos de planejamento, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP).

Somente depois dessas etapas foram executadas as ações de extensão. As experiências, os resultados e as avaliações deram origem aos relatórios posteriormente transformados em capítulos.  “Nós temos uma ação prática sendo retratada em relatórios.

Isso é extremamente importante para a UEMS, para Mato Grosso do Sul, para a Escola de Governo e para a Fundect. É o retrato de um trabalho feito em equipe e da atitude dos alunos, que buscaram realizar um trabalho de qualidade”, afirma Zamberlan.  Os onze capítulos estão organizados em quatro seções temáticas.

A primeira, “Preservação e Recuperação Ambiental”, apresenta experiências de reflorestamento de matas ciliares, recuperação de nascentes e áreas degradadas, proteção dos recursos hídricos e conscientização sobre a conservação das galerias pluviais.

As intervenções foram realizadas em municípios como Coxim, Fátima do Sul, Ivinhema e Juti, articulando conhecimento técnico, educação ambiental e participação comunitária.  A segunda seção, “Gestão de Resíduos e Logística Reversa”, aborda o descarte adequado de pilhas, baterias e óleo residual de cozinha. Os projetos desenvolvidos em Coxim e Rio Brilhante demonstram como ações educativas, pontos de coleta e atividades de reaproveitamento podem reduzir impactos ambientais e estimular a responsabilidade compartilhada entre cidadãos, empresas e poder público.

Uma das experiências incluiu oficinas de produção de sabão a partir do óleo usado, aproximando sustentabilidade, economia circular e práticas acessíveis à população.  Na terceira seção, “Educação e Mobilização Comunitária”, são relatadas ações realizadas em escolas, feiras, bairros, espaços públicos e comunidades de Caarapó, Mundo Novo, Campo Grande e Coxim. Os estudantes organizaram palestras, oficinas, mutirões de limpeza, campanhas educativas, instalação de placas e atividades de sensibilização sobre coleta seletiva, descarte responsável e conservação dos espaços urbanos.

Os capítulos mostram que mudanças ambientais duradouras dependem da mobilização das pessoas e do fortalecimento do sentimento de pertencimento aos territórios.

A quarta seção, “Gestão Social e Interculturalidade”, apresenta a ação “Mulheres em Ação + UEMS – Edição Especial Culturados”, realizada em Dourados. O projeto reuniu formação, mesa-redonda e feira criativa, promovendo o empreendedorismo feminino, a economia solidária e o diálogo intercultural.

A participação de artesãs indígenas ampliou a valorização dos saberes tradicionais e provocou uma reflexão importante sobre a necessidade de políticas e práticas institucionais sensíveis às diferentes realidades culturais.  Mais do que apresentar resultados positivos, a obra também registra desafios, limites e aprendizados.

Alguns projetos identificaram a necessidade de continuidade das ações, ampliação da divulgação, melhoria da infraestrutura e fortalecimento das parcerias institucionais. Essa dimensão crítica reforça o valor do livro como referência: os capítulos não oferecem fórmulas prontas, mas mostram caminhos possíveis para planejar, executar, avaliar e aperfeiçoar projetos de extensão universitária.

Na avaliação de Zamberlan, o caráter inovador da experiência está justamente na capacidade de integrar formação teórica, ferramentas de planejamento e atuação prática. “Nós conseguimos produzir algo que considero inédito, principalmente para cursos superiores de tecnologia: uma extensão universitária diretamente ligada à pesquisa, ao ensino, ao planejamento das atividades e a uma visão de mundo sustentada pela cultura geral”, ressalta.

Prefaciada pela pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários da UEMS, Dra. Erika Kaneta Ferri, a publicação evidencia que formar gestores públicos exige mais do que transmitir normas e procedimentos administrativos. É necessário desenvolver capacidade de escuta, sensibilidade social, responsabilidade ambiental, diálogo intercultural, articulação institucional e compromisso com a transformação das realidades locais.

A publicação em acesso aberto amplia o alcance desse trabalho e permite que estudantes, professores, pesquisadores, gestores públicos, organizações da sociedade civil e comunidades conheçam e utilizem as experiências registradas. Ao tornar o livro disponível gratuitamente, a Editora IPES reafirma seu compromisso com a democratização do conhecimento e com a circulação de produções acadêmicas socialmente relevantes.

“O resultado é um livro de qualidade e um livro que pode ser usado por quem quiser saber como se faz extensão universitária”, conclui Zamberlan.

A obra “Extensão Universitária: comunidade, natureza e desenvolvimento sustentável” está disponível para leitura e download gratuito no catálogo da Editora IPES.

 

publicado em 28/08/2026